Módulo 12 de 22
Não estimulantes
Atomoxetina, guanfacina, bupropiona — quando entram e por quê.
Tema com evidência em movimento — guideline, risco ou achado recente. Por isso este módulo tem data de revisão e fontes à vista.
Revisado em
A comparação de tamanho de efeito e o que ela significa. Meta-análises colocam estimulantes à frente dos não estimulantes em redução de sintomas nucleares. Essa diferença é real e é apenas uma das dimensões da decisão — tolerabilidade, perfil de risco, duração do efeito ao longo do dia, potencial de uso indevido e contexto clínico entram na mesma conta. Um medicamento com efeito médio menor e que a pessoa mantém por anos pode produzir mais benefício acumulado que um com efeito maior interrompido em dois meses.
O caso específico da bupropiona. Ela é frequentemente mencionada como opção interessante na comorbidade, por ter ação dopaminérgica e noradrenérgica sem ser estimulante. Mas é um antidepressivo — e portanto herda a discussão inteira do módulo 14 sobre uso de antidepressivo em bipolaridade, incluindo a recomendação de não usar isoladamente no tipo 1.
Risco de virada com não estimulantes. É geralmente descrito como menor que o dos estimulantes. A base para essa afirmação é mais fina do que a frase sugere — vem de séries pequenas, raciocínio mecanístico e consenso, não de ensaios desenhados para responder essa pergunta. Aqui, como no módulo 15, a literatura acaba antes da necessidade clínica.
Segue em aberto
- Se o risco de virada dos não estimulantes é de fato menor, e quanto
- Qual o papel da bupropiona na comorbidade TDAH + bipolaridade
- Comparações diretas de longo prazo entre as opções não estimulantes
O que fazer
Ao comparar opções com seu médico, pergunte pelas quatro dimensões, não só por eficácia: quanto reduz sintoma, como é tolerado, qual o risco no meu caso específico, e qual a chance de eu conseguir manter. A quarta é a que mais determina resultado real e a que menos aparece nas conversas.
Curiosidade
O tamanho de efeito de um medicamento em ensaio clínico e o benefício que ele produz na vida real divergem por uma razão simples e pouco discutida: ensaios medem quem continuou tomando. Um tratamento com efeito modesto e boa tolerabilidade pode superar, ao longo de anos, um com efeito grande que metade das pessoas abandona no terceiro mês. Eficácia é medida em semanas; benefício se acumula em anos.
Tópicos deste nível · 3
- Comparação de tamanho de efeito vs estimulantes
- Perfil de risco de virada na comorbidade — geralmente apontado como menor, EVIDÊNCIA LIMITADA
- Bupropiona: antidepressivo usado off-label em TDAH, e o risco em bipolar
O erro comum
Abandonar nas duas primeiras semanas esperando efeito de estimulante.
Regra fixa deste módulo
Nunca sugerir alteração de dose.
Fontes consultadas
- Comparative cardiovascular safety of medications for ADHD — network meta-analysis (Lancet Psychiatry, 2025)
- Lisdexamfetamine's Efficacy in Treating ADHD: A Meta-Analysis and Review
Diretrizes mudam. Se a data de revisão acima estiver velha, confira na fonte antes de levar isso para uma conversa clínica.