Módulo 12 de 22

Não estimulantes

Atomoxetina, guanfacina, bupropiona — quando entram e por quê.

Progresso neste módulo 

Tema com evidência em movimento — guideline, risco ou achado recente. Por isso este módulo tem data de revisão e fontes à vista.

Revisado em

Atomoxetina. Inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina. A característica que mais muda a experiência prática: o efeito demora semanas para se instalar, diferente do estimulante, que age no mesmo dia. Isso significa que a avaliação "não está funcionando" feita na primeira ou segunda semana não é avaliação — é impaciência compreensível com um cronograma diferente. E leva à interrupção precoce com frequência.

Guanfacina. Agonista alfa-2A, atua no córtex pré-frontal. Costuma ser mais usada em situações com componente de impulsividade e agitação, e tem perfil de efeitos adversos distinto — sedação e queda de pressão em vez de aceleração.

Bupropiona. É um antidepressivo com ação sobre dopamina e noradrenalina, usado fora de bula para TDAH em algumas situações. Merece atenção especial no seu caso: sendo antidepressivo, entra na discussão de risco de virada do módulo 14.

Quando entram. Em geral: quando estimulante não é tolerado, não é adequado, não funcionou, ou quando o contexto clínico pede cautela — e a comorbidade com bipolaridade é um desses contextos. O tamanho de efeito médio sobre sintomas é menor que o dos estimulantes, o que é um dado a colocar na balança, não um argumento para descartá-los.

O que a ciência sabe

Evidência forte
  • Não estimulantes têm eficácia estabelecida em TDAH, com tamanho de efeito médio menor que o dos estimulantes
  • Atomoxetina exige semanas para efeito pleno
Evidência razoável
  • Perfil cardiovascular dos não estimulantes difere do dos estimulantes
  • Não estimulantes são frequentemente preferidos quando há cautela com risco de virada
Evidência limitada
  • Comparações diretas entre não estimulantes são poucas
  • O risco de virada dos não estimulantes na comorbidade — geralmente descrito como menor, com evidência limitada
Não se sabe
  • Como prever quem responde melhor a não estimulante do que a estimulante

O que fazer

Se você começar um não estimulante, combine o prazo de avaliação antes de começar: pergunte em quantas semanas faz sentido julgar. Anotar essa data no calendário evita a interrupção precoce, que é a forma mais comum de um tratamento que funcionaria ser descartado.

Curiosidade

A atomoxetina nasceu como candidata a antidepressivo e não foi adiante nessa indicação — o efeito sobre depressão não se mostrou suficiente. Anos depois foi reaproveitada e aprovada para TDAH, virando o primeiro não estimulante com essa indicação. Vários medicamentos psiquiátricos têm biografia parecida: foram descobertos procurando outra coisa.

Tópicos deste nível · 3
  • Atomoxetina: inibição seletiva de recaptação de NA, semanas para efeito
  • Guanfacina: agonista alfa-2A pré-frontal
  • Por que 'demora 4-6 semanas' muda completamente a forma de avaliar se funcionou

O erro comum

Abandonar nas duas primeiras semanas esperando efeito de estimulante.

Regra fixa deste módulo

Nunca sugerir alteração de dose.

Fontes consultadas

Diretrizes mudam. Se a data de revisão acima estiver velha, confira na fonte antes de levar isso para uma conversa clínica.