Módulo 11 de 22

Estimulantes

Lisdexanfetamina e metilfenidato pelo esquema completo: mecanismo, efeito, evidência, tempo, adversos, riscos, interações, implicação na comorbidade.

Progresso neste módulo 

Tema com evidência em movimento — guideline, risco ou achado recente. Por isso este módulo tem data de revisão e fontes à vista.

Revisado em

Mecanismo. Metilfenidato bloqueia a recaptação de dopamina e noradrenalina, aumentando a disponibilidade delas na fenda sináptica. Lisdexanfetamina é um pró-fármaco: inativa como tomada, precisa ser metabolizada, o que produz liberação mais gradual — e é também o que reduz o potencial de uso indevido.

Efeito e evidência. A eficácia sobre sintomas nucleares de TDAH é das maiores de toda a psiquiatria, com replicação ampla. Isso não significa que funcione para todo mundo nem que resolva tudo: melhora sintoma, não instala função executiva.

Tempo. É o ponto mais subestimado. Cada formulação tem uma curva de concentração própria, e boa parte das queixas do tipo "parou de funcionar à tarde" é farmacocinética, não perda de efeito. Saber a curva do que você usa muda a interpretação do próprio dia.

Cardiovascular. Há aumento pequeno e consistente de pressão e frequência cardíaca — em adultos, as médias contra placebo ficam na ordem de poucos mmHg e de cerca de 4 a 6 batimentos por minuto. Revisões recentes descrevem a relação risco-benefício como tranquilizadora na maioria dos casos, com aumento pequeno de risco de hipertensão e sem sinal consistente para outras doenças cardiovasculares. Nada disso substitui avaliação individual — histórico cardíaco muda a conversa.

O que a ciência sabe

Evidência forte
  • Eficácia de estimulantes sobre sintomas nucleares de TDAH é das maiores em psiquiatria
  • Estimulantes aumentam levemente pressão arterial e frequência cardíaca
Evidência razoável
  • Metilfenidato e lisdexanfetamina apresentam perfis cardiovasculares distintos entre si
  • Relação risco-benefício descrita como favorável na maioria das populações estudadas
Evidência limitada
  • Risco cardiovascular de uso por décadas — dados de longo prazo ainda em construção
  • Risco de virada em pessoas com bipolaridade: evidência mista e dependente de estabilização
Não se sabe
  • Por que a resposta varia tanto entre pessoas com o mesmo diagnóstico

O que fazer

Descubra qual é a curva do que você usa — quanto tempo até o início, quando é o pico, quanto dura. Essa única informação reinterpreta metade das suas queixas sobre o dia, e é uma pergunta de trinta segundos na consulta. Nunca altere dose ou horário por conta própria.

Curiosidade

O metilfenidato foi sintetizado nos anos 1940 por um químico suíço, e o nome comercial mais conhecido dele é uma homenagem doméstica: Ritalina, derivado de *Rita* — a esposa do químico, que usava a substância. A indicação para problemas de atenção viria só depois; no começo, ninguém sabia bem para que servia.

Tópicos deste nível · 3
  • Metilfenidato: inibição de recaptação de DA/NA
  • Lisdexanfetamina: pró-fármaco, liberação + inibição de recaptação
  • Curva temporal e por que 'parou de funcionar às 16h' costuma ser farmacocinética

O erro comum

Julgar dose por como o dia correu. Dia ruim tem dezenas de causas.

Regra fixa deste módulo

Nunca sugerir alteração, suspensão ou combinação de dose. Só preparar perguntas para o psiquiatra.

Fontes consultadas

Diretrizes mudam. Se a data de revisão acima estiver velha, confira na fonte antes de levar isso para uma conversa clínica.